Publicado por: joaobdr | 07/02/2011

Um Conto Mais ou Menos Fictício…

Há alguns dias, fui convidado para uma festa dos meus amigos. Como há muito tempo não saía de casa para tais eventos sociais, achei uma ótima ideia sair para me divertir e me distrair um pouco, além de sair do meu mundinho fechado antes que eu ficasse psicótico, trancafiado em casa.

A festa seria à noite, então resolvi dar aquela caprichada no visual para causar uma boa impressão a todos, afinal, certamente haveria muita gente ainda desconhecida por lá, e seria uma boa ideia de bancar o “boa pinta”. Coloquei uma camisa social preta, listrada, calças sociais pretas e um sapato preto que há muito tempo havia comprado, esperando um bom momento para utilizá-lo. Bom, o momento havia chegado, enfim!

Fui andando até o ponto de ônibus, e de longe avistei um vazio passando, corri para tentar alcançá-lo, mas não tive sucesso e fiquei a esperar outro ônibus por alguns minutos. Alguns vários minutos, aliás. Já estava ficando impaciente, pois saí cedo para não me atrasar, e parece que não adiantaria em nada. Após quase uma hora de espera, formou-se uma multidão ao meu redor, também esperando, com muita fé, que algum veículo viesse apanhá-los, fosse um ônibus, fosse um trem, um navio, uma nave espacial, o que fosse! Eis que, finalmente, um ônibus aparece no longínquo horizonte. Era chegada a hora; todos a postos para embarcar. Como eu havia chegado primeiro, logicamente eu seria o primeiro a entrar. E poderia escolher o lugar que quisesse, pois estava praticamente vazio. Porém, como se fossem zumbis, os cidadãos logo foram passando quase que por cima de mim, num ato de extrema violência e rebeldia. Era como o Armagedom. Primeiro, os seres idosos, que já nem esperavam o bom senso de alguém lhes oferecer o lugar, já partiram para cima de mim com tudo! Logo após, grávidas e pessoas acompanhadas por multidões de crianças levadas e arruaceiras, fazendo um verdadeiro carnaval em pleno ponto de ônibus. Logo após, alguns seres que parecem ter esquecido a educação em baixo do tapete da sala. Alguns folgados, daqueles que ocupam de três a cinco vezes o próprio espaço, e os piores: “manos”. E suas “minas”. Em suas mãos, o presságio do som do inferno: celulares. Já estava sentindo o que estava por vir…

Quando finalmente consegui adentrar a quase impenetrável barreira que me colocaria no mundo dos vencedores (leia-se “porta do ônibus”), era praticamente impossível chegar até o cobrador. Então, fiquei ao lado do motorista, quase encostando na porta. Com muita dificuldade, o ônibus partiu após alguns minutos (sim, alguns minutos, pois algumas pessoas têm sérias dificuldades em pagar a passagem e passar a catraca, e atrasam todo o processo).

Eis que a profecia se realizou: os sons do inferno começaram a ser tocados! Imaginem só: um grupo de manos escutando Funk no volume máximo durante mais de vinte minutos! Só quem passa por isso pode ser chamado de vencedor. E eu queria saber, do fundo do meu coração, como é que esses seres possuem celulares com um volume assim, tão potente!? Acho que é por isso que eles nem sequer cogitam a possibilidade de usarem fones de ouvido, que é para não danificarem os seus preciosos ouvidinhos. Enquanto isso, danificam os nossos. Bom, se não for por isso, acho melhor o governo começar o programa do “Bolsa Fone de Ouvido”, em conjunto com o “Auxílio Esmola”.

Bom, quase chegando ao meu ponto de parada, o ônibus ainda continuava lotado. Mas, valentemente, fui seguindo até o cobrador. Como tinha cartão de vale transporte, seria breve. Mas então, meu cartão deu erro. Tentei de novo e…novo erro! Droga! Tentei várias e o cartão não era aceito, e naquela altura, eu já estava bem próximo de minha parada. Mas não houve jeito: tive que pagar com dinheiro! Só possuía duas notas de R$20,00, e como o cobrador já não tinha muito troco, me deu uma tonelada de moedas que pesaram em meus bolsos. Ótimo! Chegaria “tilintando” na festa!

Com muita dificuldade, consegui dar o sinal de parada, e quando o ônibus finalmente chegou em meu ponto, fiz o maior sacrifício de minha vida para chegar à porta dos fundos. Prestes a sair, as portas se fecham e o ônibus começa a sair. Gritei para o cobrador para que este avisasse o motorista para parar. Sem sucesso. Cheio de simpatia, o homem me disse que só pararia novamente no próximo ponto. Isso me lembrou de nunca mais esperar a última hora para sair pedindo licença ao povão. Desci um ponto à frente e fui correndo feito um louco até o local da festa, que era em um clube alugado pelos meus amigos.

Finalmente…FINALMENTE chegando ao clube, suando feito um cachorro, todo amarrotado, e ao som do tilintar de minhas moedas nos bolsos (eu até parecia o cara vendendo Bijú, ou algo assim, com todo aquele barulho) e vi que havia alguns seguranças do lado de fora. Eles não me deixaram entrar, dizendo se tratar de uma festa particular. Eu falei que o meu nome estava na lista, mas não me deram atenção, então eu tive que ligar para um de meus amigos para que fosse lá me resgatar. A bateria estava quase no fim, mas consegui completar a ligação. O Marcão chegou lá fora e disse que eu era convidado, e me deixaram entrar. Parece que minha sorte havia mudado.

“Já” lá dentro, percebi que já não havia muita gente, pois a festa já estava no final. Bom, mas meus conhecidos ainda estavam por lá, e me chamaram para uma mesa. Sentei-me na ponto da mesa e, eis que um ser estranho, que devia ser “amigo do primo do vizinho do pai de um dos meus amigos” chega e diz:

– Opa! Cuidado, hein! Quem senta na ponta paga a conta!

Pra mim foi o início do fim! O Marcão ainda disse pra ele pegar leve e, virando-se pra mim, disse:

– Mas diz ai, cara! Veio bem vestido! [Ironic Mode: ON!] Vai fazer exame?

Naquele momento, me enchi de toda a fúria do universo! E foi quando a namorada dele solta:

– Ai, Marcão! Mas você também tá de camisa preta! Vão cantar onde, hein??

Sem comentários…

E nisso, o primeiro ser solta mais uma:

– A diferença é que a camisa do Marcão é lisa. Já a do amigão aí é “cor sim, cor não”.

Extremamente enfurecido, me virei para ele e disse:

– Vai, anda! Traz logo o “pavê” pra completar a sua palhaçada!

E ele retruca:

– Pavê não tem, mas tem “pá cumê”, serve?

Antes que eu pudesse dizer o que iria comer (!), o pessoal se levantou e começou a ir embora, pois já estava tarde. Me despedi de todos e segui meu caminho. Que festa de arromba, hein!

Fui para o ponto, mas já era muito tarde e tive que esperar séculos até que o último ônibus aparecesse. E eu já achando que este já havia saído. Já imaginou, passar a madrugada inteira na rua, esperando o ônibus?  Correndo o risco de ser assaltado. Como se já não bastasse dar meu dinheiro de graça para o Governo, ainda correr o risco de pagar um bando de outros vagabundos. Mas o último ônibus chegou, e nesse momento, começara a chover. Que sorte! Escapei da chuva! E eu finalmente consegui chegar em casa. Bom, mas aí sim, no caminho do ponto até em casa eu peguei um pouco de chuva. Nada que uma troca de roupas e um bom banho não resolvesse. Um banho quente, interrompido pela falta de energia repentina! Droga!² O jeito foi terminar o meu banho de caneca, mesmo! Fala sério…E logo após que eu saí do banheiro, voi là! A luz voltou! Grande!

Bom, pelo menos pude dormir sossegado e sem nenhuma intempérie. E, lógico, naquele momento eu já havia me lembrado por que não costumo sair muito de casa, especialmente para ir em festas de amigos.

Fim. (?)

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Responses

  1. é meio cansativo, mas a historia é legal!

  2. muitoo grande, mas é legal

  3. Nossa….muito divertido kkk se for verdade acho q p vc nem tanto,mas eu dei muitas risadas e conseguia visualizar vc direitinho….parabens…

  4. kkk ei Jhony.. história perfeita…. vou ficar em casa essa noite… ou se sair saio a pé……


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